Conheces todos os Tipos de Nós Cirúrgicos ? - Parte I

A correta realização de Nós Cirúrgicos pode ter um papel fulcral na cicatrização da ferida dos doentes, sendo considerada uma arte e ciência dominada por todos os cirurgiões (ou pelo menos deveria ser!), uma vez que agiliza procedimentos mais complicados, facilita a cicatrização da ferida e reduz a formação de cicatrizes hipertróficas. Por outro lado, quando os Nós Cirúrgicos não são realizados corretamente, podem haver resultados devastadores para o doente, nomeadamente: hemorragia de grandes vasos, formação de hematomas, deiscência de suturas, eviscerações e em alguns casos uma má técnica pode contribuir para a morte do nosso doente. Embora alguns cirurgiões tenham um dom inato para a cirurgia, é através do treino e da repetição exaustiva das Técnicas Cirúrgicas que se pode melhorar:

(1) A destreza manual

(2) O manuseio adequado dos materiais de sutura

(3) A rápida execução dos Nós

(4) A sensibilidade para a tensão do nó necessária em cada ferida em qualquer situação (urgência ou não)

Todos os cirurgiões devem treinar a realização dos diferentes Tipos de Nós, para que numa situação de stress os consigam realizar rapidamente e de forma segura!

NOTA: o Kit de Cirurgia Blocomed V2.0 permite o treino dos diferentes Tipos de Nós.

É por isso que no artigo de hoje vos apresentamos alguns Nós Manuais a utilizar em Cirurgias específicas, pois enquanto Médicos devem conhecê-los a todos!

Um Nó seguro deve permitir manter a tensão entre os dois bordos para estes cicatrizem adequadamente e para isso a primeira laçada deve ser dupla e a segunda laçada deve ser no sentido inverso, evitando o deslizamento do Nó. 

Apresentamos abaixo alguns dos princípios a respeitar aquando aplicação de um Nó Manual:

#1 O Nó deve ser firme e tão amarrado que o deslizamento deve ser praticamente impossível.

#2 Deve ser tão pequeno quanto possível, para minimizar a reação tecidular e as extremidades devem ser cortadas o mais curto possível, sem comprometer a viabilidade da sutura.

#3 O cirurgião não deve aplicar tensão excessiva, pois além de poder ficar sem a sutura, poderá haver secção do tecido e necrose do mesmo.

#4 A força tênsil deve permitir aproximar os bordos, evitando apertar com muita força para não haver necrose dos tecidos.

#5 Depois da primeira laçada é importante manter a tração numa das extremidades do fio para evitar perder a força tênsil.

#6 A tensão aplicada à última laçada deve ser o mais horizontal possível. 

#7 Sempre que necessário, o cirurgião deve mudar de posição relativamente ao doente, para que o seja aplicado de forma segura e linear.

#8 O fio deve ter entre 30 a 40 cm de comprimento e duas extremidades com tamanhos iguais. 

#9 O fio de sutura de ser resistente o suficiente para manter os bordos da ferida unidos sem rasgar o tecido.

#10 Regra geral devem usar o mesmo número de Nós que o número de zeros do fio + 1 (ex.: para um fio 3/0 dar quatro nós).

DICA PLUS: O Nó deve ser composto por:

  1. Alça
  2. Seminó de contenção
  3. Seminó de fixação
  4. Seminó de segurança

Recordamos que a aplicação de cada Nó é muitas vezes destinada a situações específicas, que requerem cuidados ou técnicas distintas, com o intuito de garantir o sucesso da sutura e respetiva cicatrização.

Agora que já conhecem os Princípios dos Nós Manuais, bem como alguns detalhes a ter em conta para a correta aplicação dos mesmos, fiquem atentos ao nosso blogue, pois na Parte II deste artigo (06 DEZEMBRO 2016), apresentar-vos-emos alguns Tipos de Nós.

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