Vamos rever os Princípios Básicos de Cirurgia.

SEGURANÇA, é a palavra de ordem no artigo de hoje!

No nosso dia-a-dia é fulcral garantir a segurança do doente nas diversas situações e intervenções cirúrgicas, através, mas não só, da implementação de Protocolos Cirúrgicos adequados a cada especialidade. Deste modo, devem conhecer o processo de cicatrização das feridas e saber qual o tipo de sutura a utilizar, que em função do tipo de tecido, profundidade e localização anatómica do mesmo, pode ser natural, sintética, mono ou multifilamento [considerando sempre a memória, elasticidade e tensão dos nós do material de sutura a utilizar]. Mas tenham sempre em conta, os Princípios Fundamentais de Cirurgia: controle do trauma e da hemorragia, cuidado e delicadeza no manuseamento dos tecidos e assepsia.

MAS POR ONDE DEVEMOS COMEÇAR?

Primeiramente, é importante fazer uma boa antissepsia com uma solução aquosa (sabão não

antimicrobiano/antisséptico ou sabão antimicrobiano/antisséptico) ou álcool iodado e povidine, no sentido centrífugo durante 10 a 15 segundos, diversas vezes ao dia (antes e depois do contacto com cada doente). Depois deste passo, segue-se a colocação da Bata Cirúrgica e luvas esterilizadas.

Terminadas estas etapas, é importante identificar o tipo de ferida e meter “mãos-à-obra” (literalmente!).

VEJAMOS OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DE CIRURGIA

  1. Assepsia cutânea e do campo operatório
  2. Posicionamento do cirurgião e doente
  3. Anestesia local ou geral (se aplicável)
  4. Preparação do material de corte, diérese e sutura
  5. Diérese
  6. Hemostasia
  7. Drenagem (remoção de material - líquidos, restos tecidulares, etc. – com possibilidade de infetar ou complicar)
  8. Síntese

AGORA OS ATOS CIRÚRGICOS BÁSICOS

  • Diérese: é composta pelo conjunto de manobras aplicadas pelo cirurgião para separar ou dividir os tecidos e realizar a cirurgia. Existem quatro tipos de Diérese: Incisão (corte dos tecidos), Divulsão (separação dos tecidos), Exérese (remoção dos tecidos) e Punção (introdução de agulhas p/ aspiração), que por sua vez, se subdividem também! Mas isso ficará para outro artigo!
  • Hemostasia: são todas as manobras realizadas para interrupção do sangramento do doente, nomeadamente através de mecanismos hemostáticos (pressão gaze ou pinça hemostática), calor (termo coagulação), ligaduras, compressão e coagulantes locais (com substâncias vasoconstritoras, materiais reabsorvíveis e cera óssea).
  • Exérese: é a manobra utilizada para remover uma parte ou a totalidade de um órgão, tecido ou outro, com um propósito de tratamento (ex.: remoção de lesões patológicas, osteotomias, etc.).
  • Síntese (Sutura): é a sutura per se através da aproximação dos tecidos, com o intuito de auxiliar a hemostasia, cicatrização dos tecidos e restituir a morfologia e respetiva função da área operada. A síntese pode ser realizada com fios absorvíveis (animal ou sintético) e não absorvíveis (animal, vegetal, sintético, metálico), pinças, bisturis, tesouras e tesouras cirúrgicas, porta agulhas, afastador de Farabeuf, cuba para soro com solução antisséptica, cuba com soro gelado, compressa de gaze e seringa Luer.

CONCLUÍDA A CIRURGIA, INICIA-SE O PROCESSO DE CICATRIZAÇÃO!

Este divide-se em três fases:

  1. Fase Inflamatória: imediatamente após a lesão tecidular, inicia-se a primeira fase cicatrização, composta pela formação de coágulos de fibrina, ativação da cascata de coagulação e migração celular de polimorfonucleados, macrófagos, linfócitos e fibroblastos.
  2. Fase Proliferativa: entre o 5º dia e até à 4ª semana, ocorrem os fenómenos de angiogénese, proliferação dos fibroblastos e alinhamento das fibras de colagénio, que resultam no aumento da força tênsil nos bordos da ferida e na redução do tamanho da ferida.
  3. Fase de Maturação e Remodelação: é durante a 3ª semana que se inicia a fase de remodelação, que poderá prolongar-se até 1 ano. É nesta fase de cicatrização que se dá a maturação e renovação das fibras de colagénio, se formam novos capilares, um novo tecido epitelial e a remodelação das fibras de colagénio.

No entanto, existem diversos fatores que influenciam positiva ou negativamente o processo de cicatrização nomeadamente: a idade do doente, a hipoxia, os fármacos utilizados, as alterações metabólicas, a nutrição e a infeção. É por isso que é tão importante aplicar corretamente a Técnica Cirúrgica e a Assepsia!

Findo o Processo de Cicatrização, segue-se a remoção dos fios de sutura ou materiais utilizados para a realização da sutura (agrafos, fitas, faixas etc.), que varia em função da tensão aplicada ao tecido: de menor tensão varia entre 3 a 5 dias, de maior tensão entre 10 a 12 dias e para suturas intrabucais, de 7 a 10 dias.

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#Blocomed #AchasQueSabesSuturar